Quanto dinheiro levar na viagem internacional, e em que forma
Pouco em espécie: o bastante para os primeiros gastos e uma emergência. O resto vai no cartão e na conta global, que pagam o mesmo IOF de 3,5%. Acima de US$ 10 mil em espécie por pessoa, a declaração à Receita é obrigatória.

Divida entre cartão, conta global e um pouco de dinheiro vivo. Espécie não economiza imposto (paga 3,5% de IOF, como o cartão) e, se sumir, o prejuízo é seu.
Entenda
A lei não diz quanto levar. Diz a partir de quando declarar. Com o dólar a R$ 5,1991 (PTAX de 25/09/2026), US$ 10 mil passam de R$ 51 mil. Quem leva mais que isso em espécie, ou o equivalente em outra moeda, preenche a e-DBV na saída e na volta ao Brasil (Lei 14.286/2021). Antes do marco cambial o limite era R$ 10 mil; hoje é em dólar. O limite vale por viajante. Cada país de destino tem a sua regra, quase sempre em torno de 10 mil na moeda local, e alguns cobram a declaração a partir de 10 mil exatos.
| Onde | Declara quem leva | Como |
|---|---|---|
| Brasil (saída e volta) | acima de US$ 10 mil ou o equivalente | e-DBV, no site da Receita ou no app Viajantes, antes do check-in |
| União Europeia (Portugal, Espanha, Itália, França...) | € 10 mil ou mais | declaração na alfândega ao entrar ou sair da UE |
| Estados Unidos | acima de US$ 10 mil | formulário FinCEN 105, de preferência online |
| Reino Unido | £ 10 mil ou mais | declaração à alfândega britânica ao chegar de fora do Reino Unido |
| Canadá | CAD 10 mil ou mais (dinheiro e instrumentos monetários) | declaração na entrada ou na saída |
| Japão | acima de ¥ 1 milhão | declaração na alfândega |
| Argentina | US$ 10 mil ou mais; menores de 16 anos, limite de US$ 5 mil | formulário OM 2249A |
| Chile | acima de US$ 10 mil ou o equivalente | declaração na Aduana, na entrada ou na saída (fonte: aduana.cl) |
Qual é o seu caso?
Antes de fechar, olhe
- Se o total em espécie por pessoa passa de US$ 10 mil. Se passar, faça a e-DBV antes do check-in e leve o comprovante de compra do câmbio
- A regra do país de destino: na UE, no Reino Unido, no Canadá e na Argentina a declaração começa em 10 mil exatos
- Quanto vai sobrar na volta: trazer saldo da conta global para o Brasil paga 0,38% de IOF
- Se o seu roteiro passa por mais de um país: cada fronteira aplica a própria regra
- Se o país pede meios de subsistência e aceita cartão: na Espanha, cartão de crédito vale com extrato ou caderneta atualizada, e extrato de internet não serve
- Se você tem um segundo cartão, de outra instituição, guardado longe do primeiro
Quando não vale
- Levar tudo em espécie para pagar menos IOF: desde 2025 a espécie paga os mesmos 3,5% do cartão
- Contar com a cota de outra pessoa para as suas compras: a cota de US$ 1.000 é individual e intransferível
- Levar a reserva de emergência toda em espécie: o consulado não empresta dinheiro, e dinheiro roubado não volta. Reserva em cartão e conta pode ser bloqueada e recuperada
Não existe valor oficial para levar, mas existe valor para provar
Nenhuma lei diz quanto dinheiro você deve levar. O que existe são duas regras diferentes, e muita gente mistura as duas.
A primeira é o limite para declarar. Acima de US$ 10 mil em espécie por pessoa, a Receita exige a e-DBV na saída e na volta. Isso não proíbe levar mais. Só obriga a declarar.
A segunda é a prova de meios de subsistência. Nos países do Espaço Schengen, o guarda de fronteira pode pedir que você mostre que tem dinheiro para a estadia. Cada país fixa o próprio valor. E não precisa ser em espécie.
| País | Quanto pode pedir, por pessoa | Exemplo: 10 dias | Como provar |
|---|---|---|---|
| Portugal | € 75 por entrada + € 40 por dia | € 475 | dinheiro, traveller’s cheques ou cartão de crédito aceito internacionalmente; o termo de responsabilidade de quem te recebe pode dispensar |
| Espanha | € 121,10 por dia, mínimo de € 1.098,90 (2026) | € 1.211 (contam o dia de entrada e o de saída) | espécie, cheques de viagem ou cartão de crédito com extrato ou caderneta atualizada; extrato de internet não serve |
| França | € 65 por dia com hotel reservado; € 120 sem; € 32,50 com attestation d’accueil | € 650 com hotel | dinheiro, cartão bancário ou cheques de viagem |
| Itália | tabela por faixa de dias; de 6 a 10 dias, € 44,93 por dia sozinho | € 449,30 sozinho | dinheiro, garantias bancárias, títulos de crédito ou serviços pré-pagos |
Em reais, com o euro a R$ 5,9280 (PTAX de 25/09/2026), os € 1.211 da Espanha dão cerca de R$ 7.179. Não é o valor que você precisa levar no bolso. É o valor que você precisa conseguir demonstrar, e o cartão de crédito resolve boa parte disso. Os detalhes de cada país estão em Portugal, Espanha, França e Itália.
Como montar o kit dinheiro
Pense em três partes, cada uma com uma função.
Cartão de crédito. Hotel, carro, compras maiores e a prova de meios na Europa. Paga 3,5% de IOF mais a taxa de conversão do emissor, que vale a data de cada compra. Para gastos de 26/09/2026, três grandes emissores divulgaram de R$ 5,40 a R$ 5,51 por dólar, com a PTAX a R$ 5,1991.
Conta global com cartão de débito. O dia a dia. Você converte antes, vê a tarifa e sabe quanto gastou. Também paga 3,5%. Serve para sacar dinheiro vivo lá, se precisar. Se preferir não abrir conta no exterior, compare com o cartão pré-pago.
Espécie. O que só aceita dinheiro e uma reserva curta para os primeiros dias. Paga 3,5% na compra, e se sumir, sumiu. Veja onde comprar sem pagar caro.
Por tipo de viagem:
- Europa, 1 a 2 semanas. Cartão de crédito com limite para a viagem e para a prova de meios, conta global com euro, e espécie para o transporte do aeroporto e pequenos gastos. Se faltar, saque na conta global.
- Estados Unidos. Mesmo esquema, com a conta em dólar. Se for sacar, veja se a sua conta tem caixa eletrônico sem tarifa por lá.
- Roteiro com duas moedas. Converta cada moeda perto de usar. Se sobrar dólar e precisar de euro, veja se a sua conta troca uma pela outra sem nova conversão de reais.
- Quem não usa aplicativo. Cartão de crédito e um pouco de espécie funcionam sem app. A conta global depende de você converter pelo celular ou pelo computador.
Exemplo: casal, 10 dias em Portugal
Cada um precisa conseguir mostrar € 475 (€ 75 + 10 x € 40), ou € 950 no total. Com o euro a R$ 5,9280, isso dá cerca de R$ 5.632. Um cartão de crédito aceito internacionalmente serve de prova. Se vocês ficam na casa de alguém, o termo de responsabilidade dessa pessoa pode dispensar os valores.
Para gastar, o casal pode deixar hotel e carro no cartão de crédito, converter uma parte na conta global para os gastos do dia e levar pouca espécie. Nada disso chega perto dos US$ 10 mil por pessoa que exigem e-DBV.
Se fosse a Espanha, a conta muda: 10 dias dão € 1.211 por pessoa. Com 7 dias, vale o mínimo de € 1.098,90, porque 7 x € 121,10 ficam abaixo dele.
O limite de US$ 10 mil, na ida e na volta
A regra da Receita vale nos dois sentidos e por viajante. Na saída, se levar mais de US$ 10 mil em espécie, faça a e-DBV e apresente à fiscalização o dinheiro, a declaração e o comprovante de compra do câmbio. Na volta, se trouxer mais de US$ 10 mil, a e-DBV é obrigatória de novo. Veja como preencher a e-DBV.
O destino tem regra própria. Na União Europeia, no Reino Unido e no Canadá, a declaração começa em 10 mil exatos na moeda local. Nos Estados Unidos, no Chile e no Japão, começa acima do limite. Quem cruza várias fronteiras precisa olhar cada uma.
Família, criança e quem viaja com mais idade
O limite do Brasil é por pessoa, sem regra diferente por idade. Na Argentina, menores de 16 anos têm limite próprio de US$ 5 mil. Veja o que mais a Argentina pede.
Os meios de subsistência da Europa também contam por pessoa. Na Itália, a tabela é mais baixa por pessoa quando viajam duas ou mais: de 6 a 10 dias, € 26,33 por dia, contra € 44,93 de quem vai sozinho. Um casal em 10 dias precisa de € 526,60 no total.
Para quem viaja com mais idade e prefere não usar app, o cartão de crédito resolve a maior parte. Deixe com um acompanhante um segundo cartão, de outra instituição, para o caso de o primeiro ser bloqueado.
Se o dinheiro ou o cartão sumir
O consulado brasileiro emite documento de viagem com urgência, mas não empresta dinheiro nem paga despesas médicas ou de advogado. Por isso a reserva precisa estar com você, e de preferência em mais de uma forma.
Se o cartão sumir, bloqueie pelo app ou pelo atendimento do banco e veja a bandeira. A Visa tem substituição emergencial de cartão em algumas categorias, sujeita ao emissor, e a Mastercard fala em cartão temporário no Platinum. Veja o passo a passo e as fontes. Dinheiro vivo roubado não tem nada disso.
Registre ocorrência na polícia local se houve roubo. Se foi junto o passaporte, o consulado orienta a emissão de um novo documento.
Na volta: sobra e compras
O que sobrar na conta global pode ficar para a próxima viagem. Trazer ao Brasil paga 0,38% de IOF. Em compras, a cota é de US$ 1.000 por pessoa na chegada por avião, mais US$ 1.000 no free shop, a cada 30 dias. Veja como funciona a cota.
Dúvidas rápidas
Quanto dinheiro posso levar para o exterior sem declarar?
Até US$ 10 mil em espécie por pessoa, ou o equivalente em outra moeda. Acima disso, você precisa preencher a e-DBV da Receita Federal, na saída e na volta. O limite é em dólar, não em reais.
O limite é R$ 10 mil ou US$ 10 mil?
US$ 10 mil. O limite em reais é antigo. A Lei 14.286/2021, o marco cambial, passou a regra para dólar, e a página atual da Receita já diz US$ 10.000. Algumas páginas antigas ainda aparecem na busca com R$ 10 mil.
Como declarar dinheiro vivo na saída do Brasil?
Pela e-DBV, no site da Receita ou no app Viajantes, antes do check-in. Leve o comprovante de compra do câmbio: a Receita exige na saída com valor declarado.
Quanto dinheiro posso levar para a Europa?
Quem entra ou sai da União Europeia com € 10 mil ou mais em dinheiro precisa declarar na alfândega. Entram na conta outras moedas, cheques de viagem, títulos ao portador e ouro.
E para os Estados Unidos?
Acima de US$ 10 mil, na entrada ou na saída, você declara no formulário FinCEN 105, que o governo americano prefere que seja feito online.
Casal pode levar US$ 20 mil sem declarar ao sair do Brasil?
O limite da Receita é por viajante, então cada pessoa pode levar até US$ 10 mil sem e-DBV. Confira também a regra do destino, que pode começar em 10 mil exatos.
Quanto posso gastar em compras sem pagar imposto na volta?
US$ 1.000 por pessoa na chegada por avião ou navio, mais US$ 1.000 no free shop do aeroporto de chegada, a cada 30 dias. O excedente paga 50% de imposto de importação. Bens de uso ou consumo pessoal e livros ficam fora da cota.
Quanto dinheiro preciso mostrar para entrar em Portugal ou na Espanha?
Portugal pede € 75 por entrada mais € 40 por dia, por pessoa: 10 dias dão € 475. A Espanha pede € 121,10 por pessoa por dia, com mínimo de € 1.098,90 (valores de 2026). Não precisa ser em espécie: os dois aceitam cartão de crédito, e a Espanha pede extrato ou caderneta atualizada junto.
Criança conta no limite de US$ 10 mil?
O limite da Receita é por viajante, sem regra diferente por idade. Na Argentina, menores de 16 anos têm limite próprio de US$ 5 mil para entrar ou sair sem declarar.
Ainda compensa levar dinheiro em espécie?
Só para o que pede dinheiro vivo. O IOF é o mesmo do cartão, 3,5%, e o que decide é o câmbio. Veja onde comprar e como comparar.
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- Receita Federal: dinheiro em espécie na saída do Brasil
- Receita Federal: cota de isenção e bagagem tributável
- Comissão Europeia: controle de dinheiro vivo na UE
- CBP (EUA): dinheiro na entrada e saída
- GOV.UK: levar dinheiro para o Reino Unido
- CBSA (Canadá): o que declarar
- Alfândega do Japão: bagagem do passageiro
- ARCA (Argentina): entrada e saída de valores
- Portugal: Portaria 1563/2007, meios de subsistência
- Espanha: Ministerio del Interior, requisitos de entrada
- França: Service-Public, condições de entrada
- Itália: Ministério do Interior, tabela de meios (2000)
Conferido em 27/09/2026 nas fontes acima. Como conferimos.
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