Comece pelo visto, e só depois pela passagem
Nos EUA, o visto é o item que define a data da viagem. Todo o resto se resolve em dias. O visto depende da fila do consulado, e essa fila muda de cidade para cidade. Antes de começar, olhe o passaporte: para pedir o visto, a página de documentos do consulado quer validade de pelo menos 6 meses além da estadia. A regra mais branda da CBP vale só na entrada. Depois, siga esta ordem:
- Preencha o DS-160 no site do Departamento de Estado (ceac.state.gov). Guarde o código de barras da confirmação. O guia do DS-160 mostra o formulário campo a campo.
- Crie a conta no site oficial de agendamento, informe o número do DS-160 e escolha onde vai retirar o passaporte.
- Pague a taxa de US$ 185. O pagamento vale 365 dias e aceita cartão, boleto ou Pix.
- Agende. Desde 01/05/2025, o código de barras do DS-160 precisa ser o mesmo do agendamento. Refez o formulário? Atualize o agendamento.
- Na maioria dos casos, você vai primeiro ao CASV, para digitais e foto, e depois à entrevista na seção consular.
Um exemplo de calendário. Você quer viajar em julho e ainda não tem visto. Se deixar para pagar a taxa em maio, fica refém da agenda do consulado em cima da hora. Pague e agende assim que decidir a viagem, olhe a data que aparece no sistema e só então compre a passagem. Se a entrevista cair perto demais do embarque, passagem sem reembolso vira prejuízo.
Quem já teve visto pode escapar da entrevista. A tabela resume os casos:
| Sua situação | Caminho |
|---|
| Nunca teve visto americano | DS-160, taxa, CASV e entrevista |
| B1/B2 válido ou vencido há até 12 meses, emitido quando você tinha 18 anos ou mais, sem negativa anterior | Pode caber na renovação sem entrevista, em algumas seções consulares |
| Visto vencido há mais de 12 meses | Processo completo, com entrevista |
| Visto perdido, roubado ou revogado, ou negativa anterior | Processo completo, com entrevista |
Mesmo quem se encaixa na renovação pode ser chamado para entrevista. O passo a passo completo está na página do visto americano.
Conexão nos EUA também pede visto
Os EUA não têm trânsito sem visto: o programa foi suspenso em 2003. Quem precisa de visto para entrar precisa de visto também para trocar de avião em Miami, Houston, Nova York ou qualquer outro aeroporto americano, mesmo sem sair da área de embarque.
Isso pesa nestes roteiros:
- México e Caribe. Passagem para Cancún com escala nos EUA só serve para quem tem visto americano. Quem tem visto americano de múltiplas entradas válido ganha outra vantagem: fica dispensado do visto mexicano. Veja a página do México.
- Canadá. O visto americano válido também abre a porta da eTA canadense, que custa CAD 7. Veja a página do Canadá.
- Japão. O Japão não pede visto do brasileiro, mas uma rota com escala nos EUA exige visto americano.
A tabela oficial de taxas lista um visto de trânsito (categoria C), com os mesmos US$ 185 do B1/B2. A ESTA não resolve a conexão: ela não vale para brasileiro.
O que acontece na chegada
O visto permite que você se apresente na fronteira. Quem decide se você entra é o oficial da CBP, no aeroporto. A própria CBP escreve que ter visto não garante a entrada. Tenha à mão o endereço da primeira noite e a passagem de volta, para responder sem hesitar.
Para quem chega de avião, o I-94 é eletrônico: a CBP gera o registro a partir dos dados do voo. Depois de entrar, abra o site oficial do I-94 ou o app CBP Link e confira a data limite da sua estadia. Um erro comum é achar que o visto válido por anos deixa ficar esse tempo todo. Não deixa: o visto é a validade para se apresentar; a data do I-94 é até quando você pode ficar nesta viagem.
Na declaração de alfândega, comida conta. A CBP exige declarar carne, fruta, verdura, planta, semente e produto de origem animal ou vegetal. Aquele queijo ou a paçoca na mala entram nessa regra. Deixar de declarar produto proibido pode custar até US$ 1.000 na primeira vez. A multa é para quem deixa de declarar. Na dúvida, declare.
Dinheiro: o que declarar na ida e na volta
Dinheiro vivo tem duas regras que andam juntas. Na saída do Brasil, a e-DBV é obrigatória acima de US$ 10 mil por viajante. Na entrada dos EUA, o FinCEN 105 é obrigatório para valores acima de US$ 10 mil. Levar exatamente US$ 10.000 não obriga a declarar em nenhum dos dois; US$ 10.001, sim. O guia da e-DBV mostra como fazer a declaração brasileira pelo app ou pelo site.
O IOF é o mesmo em quase tudo: 3,5% no cartão de crédito, no débito, no pré-pago, na conta global e na compra de dólar em espécie. Dinheiro vivo deixou de ser mais barato em imposto. A conta muda no câmbio e na tarifa de cada banco, não no IOF. A página de IOF em viagem detalha a conta, e a de quanto dinheiro levar ajuda a dividir entre cartão e espécie.
Na volta, a cota de isenção de quem chega de avião é US$ 1.000 por pessoa, mais US$ 1.000 no free shop de chegada. Ela vale uma vez a cada 30 dias, e o que passar paga 50% de imposto. Os detalhes estão em cota de compras na volta.
Saúde, seguro do cartão e carro
Seguro não é exigido. Isso não quer dizer que você pode ir sem. O Consulado do Brasil em Los Angeles recomenda plano com cobertura adequada a todo brasileiro nos EUA, turista ou residente, por causa do custo médico. Emergência lá é no 911.
Se a ideia é usar o seguro do cartão, confira três pontos antes de comprar a passagem:
- Limite. Mastercard Platinum cobre até US$ 25 mil em despesas médicas; Mastercard Black, até US$ 175 mil. Na Visa, pelo termo de junho de 2023: Platinum US$ 25 mil, Signature US$ 150 mil e Infinite US$ 175 mil.
- Passagem. O benefício só vale se a passagem for paga com o cartão. Com milhas, as taxas de embarque precisam ir no cartão.
- Bilhete. Emita antes de viajar. A Visa pede 48 horas de antecedência, e cada viajante precisa do seu.
A página o seguro do cartão cobre? compara as bandeiras, e a de seguro para os EUA mostra quanto de cobertura pedir.
Para dirigir na Flórida, a CNH física basta pela lei estadual. A PID custa R$ 433,62 com entrega no Detran-SP e R$ 209,78 no Detran-RJ (valores de 26/09/2026) e ajuda no balcão da locadora. Atenção a um detalhe: o Toll-By-Plate, cobrança do pedágio pela placa, não está disponível para carro alugado. Pergunte à locadora como o pedágio será cobrado. Veja mais em aluguel de carro em Orlando.
Família e crianças
Cada criança precisa de passaporte e de visto próprios, e paga a mesma taxa de US$ 185. Numa família de quatro sem visto, são US$ 740 só de taxa, sem reembolso se algum pedido for negado.
Na saída do Brasil vale a Resolução CNJ 131/2011, até os 18 anos. Com os dois pais, nada a apresentar. Com só um, a autorização do outro com firma reconhecida, em 2 vias. Sozinho ou com terceiros, a autorização dos dois. Se a autorização não tiver prazo escrito, vale 2 anos. Dá para pedir que ela saia impressa no passaporte da criança, na emissão. O passo a passo está em viajar com criança.
Resumo
| Item | Situação para o brasileiro |
|---|
| Visto B1/B2 | Obrigatório, US$ 185 por pessoa |
| ESTA | Não vale |
| Conexão em aeroporto americano | Precisa de visto |
| Passaporte | Válido durante a estadia |
| Seguro | Recomendado, não exigido |
| Vacina | Nenhuma |
| Dinheiro vivo | Declarar acima de US$ 10 mil |
| Comida na mala | Declarar |
| CNH na Flórida | Vale; PID recomendada |