Como saber se o seu RG serve
Olhe a data de expedição, não a de nascimento. A conta é simples: RG expedido em março de 2016 serve até março de 2026. Numa viagem em outubro de 2026, ele já passou de 10 anos e a Polícia Federal pode barrar o embarque. O mesmo vale se a foto já não identifica você, mesmo com RG recente.
Quem está nessa situação tem dois caminhos:
| Documento | Serve? | Observação |
|---|
| RG expedido há menos de 10 anos, em bom estado | Sim | Leve o físico |
| CIN, a nova carteira de identidade | Sim | Leve a física |
| Passaporte válido | Sim | Resolve qualquer caso |
| RG com 10 anos ou mais | Não | Tire a CIN ou use o passaporte |
| CNH, OAB, CRM, certidão | Não | A PF nega o embarque |
| Passaporte vencido | Não conte | Nenhuma fonte oficial aceita |
Quem confere o documento é a PF, na saída do Brasil. O problema aparece ainda do lado brasileiro, não em Buenos Aires. A Argentina não carimba mais o passaporte na entrada desde 2021, então não estranhe a falta do carimbo.
Seguro: o que a lei diz e o que vale hoje
Em maio de 2025, a Argentina mudou a Lei de Migrações por decreto. O texto diz que o estrangeiro deve declarar, ao entrar, que tem seguro de saúde. Em 27/09/2026, a chancelaria argentina informava que essa declaração ainda não era pedida, porque falta regulamentar a forma de aplicar. Quando a regra passar a valer na fronteira, esta página muda.
O risco que já existe é outro. Hospital público argentino só atende estrangeiro com seguro ou pagamento antecipado, fora a emergência. Uma consulta que não seja emergência precisa ser paga antes. O Consulado do Brasil em Buenos Aires também aconselha seguro médico internacional.
O seguro viagem vendido no Brasil precisa incluir despesas médicas, e essa cobertura não pode ser só para acidente, pela regra da Susep. Veja preços em quanto custa o seguro viagem e, para quem tem 70 anos ou mais ou está grávida, em seguro para gestante e idoso.
Febre amarela: quem vai a Iguazú
A Argentina não exige vacina de quem vem do Brasil. Mas a OMS aponta risco de febre amarela nas províncias de Misiones, onde ficam Puerto Iguazú e o lado argentino das Cataratas, e Corrientes; o Ministério da Saúde orienta vacinar pelo menos 10 dias antes de ir a área de risco. Orientação não é exigência: a Argentina não pede o certificado na entrada. A decisão é de saúde, não de documento.
Vai para lá? O calendário é este:
- Tome a vacina no posto de saúde pelo menos 10 dias antes de chegar a Misiones ou Corrientes.
- Procure o certificado internacional no Meu SUS Digital. Se não aparecer, peça pelo gov.br com o comprovante de vacinação. É gratuito e sai em 1 a 5 dias úteis.
- O certificado vale a partir do 10º dia depois da vacina e não vence mais.
O passo a passo está em certificado de febre amarela.
Dinheiro na ida e compras na volta
Na aduana argentina, valores abaixo de US$ 10.000 entram livres. A partir de US$ 10.000, você declara no formulário OM 2249A. Quem tem menos de 16 anos tem limite de US$ 5.000. Na saída do Brasil, a e-DBV é obrigatória acima de US$ 10 mil por viajante. Repare na diferença: com exatamente US$ 10.000, o Brasil não pede declaração, mas a Argentina pede. O guia da e-DBV mostra como declarar do lado brasileiro.
O IOF é 3,5% no cartão, no pré-pago, na conta global e no dinheiro em espécie. Veja em IOF em viagem e quanto dinheiro levar.
Na volta, o jeito de voltar muda a cota de compras. Quem volta de avião tem US$ 1.000 de isenção. Quem volta por terra, como na ponte entre Puerto Iguazú e Foz do Iguaçu, tem US$ 500. O free shop de chegada soma US$ 1.000 no aeroporto ou US$ 500 nas lojas francas terrestres. A cota vale a cada 30 dias, e o excedente paga 50% de imposto. Veja em cota de compras na volta.
Carro e CNH
A CNH brasileira vale para turista na Argentina pela Resolução GMC 35/02 do Mercosul, sem trâmite prévio e sem PID. Leve a CNH física e válida: ela serve para dirigir, não para entrar no país. Pergunte à locadora o que ela pede no balcão e veja se o carro compensa em vale a pena alugar carro?.
Família e crianças
A criança precisa do próprio documento: RG com menos de 10 anos ou passaporte. Certidão de nascimento não serve para o Mercosul. Repare na data do RG infantil: tirado aos 3 anos, ele passa dos 10 anos de emissão aos 13, e a foto de uma criança de 3 anos pode deixar de identificá-la bem antes disso.
Na saída do Brasil vale a Resolução CNJ 131/2011, até os 18 anos. Com os dois pais, nada a apresentar. Com só um, autorização do outro com firma reconhecida, em 2 vias. Sozinho ou com terceiros, dos dois. Sem prazo escrito, a autorização vale 2 anos. Veja o modelo em viajar com criança.
Vai emendar com o Chile? O documento é o mesmo, mas o Chile recusa com todas as letras o documento digital e tem regras próprias para a Ilha de Páscoa. Veja a página do Chile.
Resumo
| Item | Situação para o brasileiro |
|---|
| Visto | Não precisa, até 3 meses |
| Documento | RG com menos de 10 anos, CIN física ou passaporte válido |
| Seguro | Recomendado; a declaração prevista em lei ainda não é pedida |
| Febre amarela | Recomendada para Misiones e Corrientes; não exigida |
| Dinheiro vivo | Declarar a partir de US$ 10.000 (US$ 5.000 para menor de 16) |
| Cota na volta | US$ 1.000 de avião, US$ 500 por terra |
| CNH | Vale; PID não exigida |