IOF em viagem: quanto você paga no cartão, na conta global e no câmbio
Desde 2025, quase tudo paga o mesmo IOF: 3,5%. Cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global e até o euro em espécie. O que muda o custo final é o câmbio e a tarifa de quem converte.

No imposto, dá empate: 3,5% em cartão, conta global, pré-pago e espécie. Escolha pelo câmbio e pelas tarifas, não pelo IOF.
Entenda
O Decreto 6.306/2007, com a redação do Decreto 12.499/2025, fixou 3,5% para compras com cartão internacional (crédito e débito), saque no exterior, carga de cartão pré-pago, compra de moeda em espécie e transferência para conta própria no exterior. Só a remessa com finalidade de investimento paga 1,10%. As alíquotas valem por uma liminar do STF de 16/07/2025 (ADC 96); o julgamento definitivo ainda não aconteceu.
| Forma | IOF | Base legal | O que pesa além do IOF |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito internacional | 3,5% | inciso VII | taxa de conversão do emissor, divulgada todo dia |
| Cartão de débito internacional | 3,5% | inciso VII | taxa de conversão do banco |
| Saque em caixa eletrônico no exterior | 3,5% | inciso IX | tarifa do banco e do caixa eletrônico |
| Carga de cartão pré-pago | 3,5% | inciso X | câmbio da carga (compare o VET) e tarifa de saque |
| Compra de moeda em espécie | 3,5% | inciso XX | câmbio da casa de câmbio (compare o VET) |
| Conta global (conta própria no exterior) | 3,5% | inciso XXI | tarifa de conversão da fintech |
| Remessa com finalidade de investimento | 1,1% | inciso XXI-A | não é para gasto de viagem |
| Dinheiro que volta do exterior | 0,38% | inciso XXV | câmbio e tarifa de quem converte de volta |
Então, o que decide?
Antes de fechar, olhe
- O valor total da conversão (câmbio + tarifa + IOF), não só a cotação anunciada
- A taxa de conversão que o seu banco usou ontem: ele é obrigado a mostrar em todos os canais
- Se o cartão cobra tarifa extra por compra internacional
- Quantos saques grátis por mês a conta ou o cartão dá no exterior
- A opção de pagar em reais na maquininha: na União Europeia, a loja precisa mostrar a margem antes
Quando não vale
- Carregar conta global "para investir" achando que vai gastar com 1,1%: gasto de viagem é 3,5%
- Trocar tudo em espécie para fugir do IOF: a alíquota é a mesma e o risco de perda é seu
- Converter tudo de uma vez muito antes da viagem só por medo do IOF subir: o imposto é o mesmo e a sobra paga 0,38% para voltar
Quanto dá na prática: uma viagem com R$ 10 mil
O IOF de 3,5% é sempre calculado sobre o valor convertido. O que muda é de onde ele sai.
- No cartão de crédito, ele vem por cima. Você gasta o equivalente a R$ 10.000 e a fatura soma mais R$ 350.
- Na conta global, ele sai de dentro do que você manda. Numa simulação da Wise em 27/09/2026, R$ 10.000 viraram US$ 1.852,99. Desse total, R$ 335,99 foram IOF e R$ 64,32 foram a tarifa da Wise.
- Na espécie e no pré-pago, o IOF já vem somado no preço por moeda que a casa de câmbio passa. É por isso que o número certo para comparar é o VET.
Agora a comparação que interessa. Quanto custa ter esses mesmos US$ 1.852,99 de cada jeito?
| Como você paga | Taxa usada | Quanto sai em reais | IOF dentro do total |
|---|---|---|---|
| Conta global (simulação Wise, 27/09/2026) | câmbio médio + tarifa | R$ 10.000,00 | R$ 335,99 |
| Cartão de crédito, taxa de R$ 5,40 | divulgada para gastos de 26/09/2026 | R$ 10.356,36 | R$ 350,22 |
| Cartão de crédito, taxa de R$ 5,51 | divulgada para gastos de 26/09/2026 | R$ 10.567,32 | R$ 357,35 |
As duas taxas de cartão são a menor e a maior entre três grandes emissores no mesmo dia, tiradas dos dados abertos que o Banco Central reúne. O IOF quase não mexe no resultado: a diferença entre as linhas vem do câmbio. No cartão, a taxa ficou de 3,9% a 6,0% acima da PTAX de 25/09/2026 (R$ 5,1991). Somado o IOF, o custo passou de 7,5% a 9,7% acima da PTAX.
Não trate a tabela como ranking fixo. A taxa do cartão muda todo dia, a tarifa da conta global muda por moeda, e numa viagem real você mistura as formas de pagar. Use a lógica: some câmbio, tarifa e IOF antes de escolher. Para dividir o orçamento entre cartão, conta e espécie, veja quanto levar e em que forma.
Como descobrir o câmbio que o seu banco cobra
Você não precisa adivinhar. O Banco Central obriga o emissor de cartão internacional a mostrar, até as 10h de cada dia, a taxa do dólar que ele usou no dia anterior. Ela aparece no app, no site e nos outros canais do banco. O histórico sai em dados abertos.
A regra da fatura também é do Banco Central (Resolução BCB 277/2022). A conversão vale a data de cada compra. O banco só pode trocar isso pela cotação do dia do pagamento se oferecer e você aceitar de forma expressa. Cada gasto no exterior aparece na fatura com três dados: o valor em dólar na data, a taxa de conversão daquele dia e o valor em reais.
Um jeito simples de usar isso antes da viagem:
- Abra o app do seu banco e procure a taxa de conversão do cartão internacional que ele usou ontem.
- Compare com a PTAX de venda desse mesmo dia, no site do Banco Central.
- Some 3,5% de IOF. Esse é o seu custo por dólar no cartão.
- Faça uma simulação na conta global com o mesmo valor e compare quanto chega de moeda.
Numa compra em euro, a fatura mostra também o valor equivalente em dólar. A taxa do dia é aplicada sobre esse valor em dólar.
Espécie e pré-pago: o VET mostra quanto custa
Na casa de câmbio, o preço por moeda já inclui câmbio, tarifa e IOF. O Banco Central chama esse total de VET e publica um ranking mensal com a média de cada instituição.
Em agosto de 2026, para compras na faixa de € 1.000 em espécie, o VET médio foi de R$ 6,0786 a R$ 6,9140 por euro entre 50 instituições. Em € 1.000, isso dá R$ 835,40 entre a mais barata e a mais cara. No cartão pré-pago em euro, a faixa foi menor: de R$ 6,2410 a R$ 6,5050, entre 13 instituições.
O próprio Banco Central avisa que o ranking é de meses anteriores e que ninguém é obrigado a manter aqueles preços. Serve para saber onde perguntar. O preço do dia você pede na loja, em VET. Se a dúvida é entre carregar um pré-pago ou uma conta global, veja o comparativo. Veja como comprar euro em espécie.
Pagar em reais na maquininha: cuidado com a conversão da loja
No exterior, a maquininha ou o caixa eletrônico às vezes oferecem cobrar em reais. Isso se chama conversão dinâmica. Quem escolhe o câmbio, nesse caso, é a loja ou o dono do caixa eletrônico, e não o seu banco.
Na União Europeia, existe regra para isso (Regulamento 2019/518). Antes de você pagar, quem oferece a conversão precisa mostrar o encargo como margem percentual sobre a taxa do Banco Central Europeu, o valor na moeda da loja e o valor na moeda da sua conta. Também precisa avisar que você pode pagar em euro e deixar a conversão com o seu banco.
Leia a tela antes de apertar o botão. Se a margem aparecer, compare com a taxa que o seu banco divulgou. Na dúvida, escolha a moeda local. Vai para a zona do euro? Veja o que a fronteira pede, inclusive os meios de subsistência.
Quando o dinheiro volta: 0,38%
O IOF na entrada de recursos do exterior é 0,38% (art. 15-B, XXV). Vale para quem traz de volta o que sobrou na conta global.
Exemplo: sobraram US$ 300. Com o dólar a R$ 5,1991, isso dá R$ 1.559,73, e o IOF da volta fica em cerca de R$ 5,93. A esse valor se soma o câmbio de quem converte de volta. É pouco, mas dá para evitar: converta aos poucos, perto de gastar, e deixe o saldo pequeno para a próxima viagem.
Se você volta com compras, o assunto é outro: a cota de isenção da Receita. Veja a cota de compras na volta. Se traz mais de US$ 10 mil em espécie, a declaração é obrigatória: como fazer a e-DBV.
Por que o IOF subiu e o que pode mudar
Em 2025 o governo editou três decretos (12.466, 12.467 e 12.499) que igualaram quase todas as operações de viagem em 3,5%. O Congresso chegou a derrubar o aumento, e o STF restabeleceu o decreto por liminar em 16/07/2025, dentro da ADC 96. O ministro esclareceu depois que a alíquota maior não vale para o período em que o decreto ficou suspenso.
Até a última conferência, o Plenário não tinha julgado o mérito. Hoje vale 3,5%. Se a regra mudar, esta página muda junto.
E a remessa de 1,1%?
O inciso XXI-A do decreto prevê 1,10% para dinheiro enviado ao exterior com finalidade de investimento. Não é o caso de quem carrega uma conta para gastar na viagem: essa transferência cai no inciso XXI, com 3,5%.
Algumas contas globais oferecem as duas modalidades. A de viagem é a de 3,5%. A de 1,1% é aplicação financeira, com risco, e este site não recomenda investimento. Se a sua dúvida é qual conta usar na viagem, compare as tarifas de Nomad e Wise.
Dúvidas rápidas
Qual é o IOF do cartão de crédito no exterior em 2026?
3,5% sobre o valor da compra convertido em reais. Vale também para cartão de débito e para compras em sites estrangeiros cobradas em moeda estrangeira.
O IOF da conta global (Nomad, Wise) é menor?
Não para gasto de viagem. A transferência para conta própria no exterior paga 3,5%. Os 1,1% que algumas contas mostram são para dinheiro enviado com finalidade de investimento.
Comprar dólar ou euro em espécie ainda compensa pelo IOF?
Não mais. Antes dos decretos de 2025, a espécie pagava 1,1%; hoje paga 3,5%, igual ao cartão. O que pode compensar é o câmbio de uma casa com VET baixo, não o imposto.
Quanto dá de IOF numa viagem de R$ 10 mil?
Cerca de R$ 336 a R$ 350. Na conta global, o IOF sai de dentro do valor enviado: numa simulação da Wise de 27/09/2026, R$ 10.000 convertidos para euro tiveram R$ 336,09 de IOF. No cartão, os 3,5% vêm por cima da compra: R$ 10.000 em compras somam R$ 350 de IOF.
Qual cotação o banco usa na fatura do cartão de crédito?
A da data de cada compra. É a regra do Banco Central (Resolução BCB 277/2022). O banco só pode converter pelo dia do pagamento se oferecer e você aceitar de forma expressa. A fatura mostra o valor em dólar, a taxa e o valor em reais de cada gasto.
Esse IOF de 3,5% pode mudar?
Pode. As alíquotas atuais valem por uma decisão liminar do STF de julho de 2025, e o julgamento definitivo ainda está pendente. Se mudar, esta página muda junto; a data de conferência fica no topo.
Pago IOF quando trago dinheiro de volta para o Brasil?
Sim, 0,38% na entrada de recursos do exterior. Em US$ 300 que sobraram, com o dólar a R$ 5,1991, dá cerca de R$ 5,93, fora o câmbio de quem converte.
Pagar em reais na maquininha do exterior evita o IOF?
Não conte com isso. A compra continua sendo feita no exterior, e quem converte para reais é a loja, com o câmbio que ela escolhe. Na União Europeia, a loja precisa mostrar antes a margem sobre a taxa do Banco Central Europeu e oferecer o pagamento na moeda local.
O IOF entra no limite de US$ 10 mil em espécie?
Não, são coisas diferentes. O IOF é imposto sobre a compra da moeda. O limite de US$ 10 mil é o valor em espécie que você pode levar sem declarar na e-DBV. Veja quanto levar.
Cartão pré-pago tem IOF menor que o de crédito?
Não. A carga do pré-pago paga 3,5%, igual ao cartão de crédito. A diferença fica no câmbio da carga. Compare pré-pago e conta global.
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- Decreto 6.306/2007, art. 15-B (Planalto)
- STF: liminar que restabeleceu o decreto do IOF
- Banco Central: Resolução BCB 277/2022 (arts. 52, 54 e 82)
- Banco Central: taxas de conversão nos cartões de uso internacional (dados abertos)
- Banco Central: ranking do VET
- Banco Central: histórico de cotações (PTAX)
- Regulamento (UE) 2019/518: conversão de moeda no ponto de venda
- Receita Federal: dinheiro em espécie na saída do Brasil
- Wise: preços no Brasil (wise.com)
Conferido em 27/09/2026 nas fontes acima; preços consultados no mesmo dia nos sites indicados. Como conferimos.
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